Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

Jacarandás em flor

 

E no fim da primavera..

Luz.

O jacarandá em flor!

Azul,arroxeado,anil,lilás.

Em breve virá o verão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 21:07
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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Sindrome de Peter Pan

«Sou da minha infância.

Sou da minha infância como se é de um país…»

 

Saint-Exupéry

 

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 11:28
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Domingo, 3 de Março de 2013

Haja bom senso !

 

 

Precisa-se de bom humor, cortesia, elogios, delicadeza, em suma, sensatez!

O sensato reage de maneira prática.

Dá valor ao emocional e despreza o mesquinho.

O sensato é, muitas vezes, considerado de inconstante, desorganizado e pouco responsável.

Mas não!

O sensato privilegia o conteúdo, não a aparência.

Por isso, é politicamente incorrecto e impróprio para cargos técnicos e administrativos, tão entontecidos pela estupidez.

Os sensatos enlouquecem no meio de tanta pequenez, e seguem sós, seus trilhos de incompreensão e escárnio.

Estão em extinção.

Não peço que os protejam, feito animal sem habitat, mas que, por favor, respeitem as suas diferenças!

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 15:35
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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

Tédio...ou o vazio que vem com o frio

Tanto escrevo quanto rasgo !

-Alguém já disse isto........

Mas ainda há algo de novo aqui ?!

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 22:23
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Armas secretas

Começaram  hoje as Correntes d'Escritas, lá na Póvoa de Varzim.

Gostei de ouvir  a comunicação de Maria Teresa Horta com «De que armas disporemos se não destas que estão dentro do corpo» (de um poema de Hélia Correia).

Lembrei-me  logo da ' Arma secreta' do  António Gedeão ( Rómulo de Carvalho) e da infantil  encenação que eu fazia à volta da sua declamação, nos íntimos jantares de família. 

E com a mesma infantilidade , pois a minha escrita  continua muito naif e pouco literária ,  comecei a brincar com palavras.


De que armas disponho?

Voz que voa,

sangue e brisa,

fogo ardente,

gelo quente.

Tudo ou nada.

Sol  ausente.

E um não sei quê emergente

que me prende

paralisa.

 

De que armas disponho?

Quase nada.

Tanto tudo.

E o terrível abismo

Bivalente….inocente

de estar longe

indiferente

mas ter vontade de mais,

mais e tudo

docemente.

 Avidamente partir….

voltar só e descontente.

 

De que arma disponho?

Foi secreta.

Foi semente.

Hoje rara , raramente

é vertigem divergente.

Cresceu. Amadureceu.

Mas continua imprudente.

É a eterna utopia de rasgar o aparente.

 

De que armas disponho?

Só do amor.

Simplesmente.



publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 22:11
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Imperceptivel

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 22:36
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013

O caminho faz-se caminhando...

...caminhando...
...recuando...
...indo em frente.....

'Cada um de nós compõe a sua história.
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz....
E ser feliz'

 
publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 21:26
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

Relatividade do tempo

 

 

Explicação da Eternidade devagar,

 

 o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 07:10
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

Fim do mundo

Todas as noites são bocadinhos do fim.

Fim do dia.

Fim de planos.

Fim de sonhos.

Fim de sóis.

Em todos os dias, há fins do mundo.

Há fins do mundo em todas as despedidas.

Ampulhetas que se esgotam por entre os dedos. Naufrágios sem salvação. Desertos sem oásis à vista. Céus rasgados de dor e de raiva. Vozes embargadas de vazios na escuridão. Buracos negros de saudade e desespero. Espadas apocalípticas que desventram peitos e coxas.

Todos os dias, há mil fins do mundo, em mim.

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 22:25
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Domingo, 30 de Setembro de 2012

Novo ano lectivo

 

Novo ano.....velho ano !

Cada vez fica mais difícil fazer parte deste sistema.......

.....desta Escola....tão industrializada e surda.

Andamos a correr em caminhos sem sentido.

 

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 15:24
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Sábado, 14 de Julho de 2012

Es( voa ) çar

 

 

 

  Planar

  pode não ser

  um aterrar devagarinho.  

  Amarro asas

  calabres ,ganchos...

  Denuncio rastos de penas pelo chão,

  quilhas partidas .

  Prenúncios de um pouso de emergência.

  Não sei se aterre

  se me espete contra os muros.

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 09:08
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Terça-feira, 10 de Julho de 2012

Células mortas ou simplesmente Necrose versus Apoptose

 

Até recentemente os cientistas acreditavam que as células só morriam quando agredidas por factores externos, por um processo chamado necrose.

 Agora, sabe-se que existe outra forma: o suicídio celular programado, necessário para eliminar células supérfluas ou defeituosas.

Esse fenómeno biológico, baptizado de apoptose, tem papel importante em diversos processos vitais e em inúmeras doenças.

Muitas células de um organismo morrem para que o conjunto sobreviva.

Assim como é preciso gerar novas células para manter processos vitais, é imprescindível eliminar as supérfluas ou defeituosas.

No indivíduo adulto, se a multiplicação das células não é compensada de modo preciso por perdas, os tecidos e órgãos crescem sem controle, o que pode levar ao cancro.

O que estudos recentes revelaram, porém, é que muitas células carregam instruções internas para "cometer suicídio" no momento em que não são mais úteis ao organismo.

Tais instruções são executadas, como um programa, quando certos comandos são accionados.

 

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 05:14
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

Mudam se os tempos!

 

Mudanças !

Depois da longa espera, da incredibilidade da partida e da polémica da escolha....eis que chegou o dia !

Não tive que pensar, escolher ou discordar !

 

A minha sala é que me escolheu !!

 

Tem uma árvore!

 

É de certeza a minha sala . A sala dos meus meninos!

 

Obrigada!

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 17:07
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

A criatividade...lindo!

CRIATIVIDADE
"«A vida é uma aventura.» E é assim que ela devia ser vivida. Nunca repetir as mesmas experiências. Sempre inovar, sempre inovar. Pensa que o ser vai à terra fazer a experiência da emoção. E para ajudá-lo nessa tarefa, criámos a experiência na matéria. As experiências na matéria criam emoção e o ser experiência a emoção. É um circuito fechado que funciona muito bem.
Agora imagina aquelas pessoas que nunca criam experiências novas nas suas vidas. Aquelas pessoas que fazem sempre as mesmas coisas, dia após dia, ano após ano. Porque julgam que mudar é mau. Porque não se atrevem, não arriscam, não se atiram do precipício sem saber o seu tamanho nem o que as espera lá em baixo. Nunca põem a possibilidade de EU estar lá em baixo. E de Eu as colocar numa nave para subirem ao céu. Não têm fé. Não fazem comunhão.
Essas pessoas não experienciam a vida na sua maior dimensão. Nunca saem do seu círculo de conforto. Não arriscam. Não perdem, mas também não ganham. E a vida vai ficando previsível. E vai ficando aborrecida. E um dia notam que já não se interessam por nada. É o dia da morte da essência. É o dia em que a experiência da matéria chegou ao fim por falta de matéria-prima. Por falta de experiências. Tudo fica repetitivo, tudo fica sem graça, tudo fica disforme. E a vida não é nada disso.
A vida é uma grande aventura. Com experiências novas para serem vividas. Novo. Tudo novo. Queres um conselho? Faz com que a tua vida não tenha muitas repetições. Cria situações. Cria. A criatividade é o motor da vida. E se tiveres por obrigação situações repetitivas, vive-as de forma inovadora, todos os dias.
Muda. Muda as coisas. E se não puderes mudar as coisas, muda a forma de fazeres as coisas. E a tua essência vai renascer. E qual Fénix que se eleva das cinzas, vai ganhar asas e finalmente vai voar. E ter uma essência que voa é a forma mais brilhante de se evoluir."

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 20:30
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011

Pássaro solto quinta feira



publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 16:47
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Quinta-feira, 24 de Março de 2011

Pelo o vento....

O Pajem

 

 Sozinho de brancura, eu vago --- Asa

 De rendas que entre cardos só flutua... ---

 Triste de Mim, que vim de Alma prà rua,

 E nunca a poderei deixar em casa...

 

 

 Mário de Sá-Carneiro

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 21:04
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Quebrar ampulhetas

 



It's safe to be alone and be lonely but I found a gun with no safety and I am going to shoot down my ghost town completely 'cause I know there's a place for us I made it, I made it I am through with sharing all my love I have outgrown crowding up my house when you found me, I could not be loved but then I found me and I'm happy to be loved.

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 19:42
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Domingo, 20 de Fevereiro de 2011

Árvores da minha vida

 

 

Havia na minha rua uma árvore triste.

Quebrou-a o vento.

 Ficou tombada, dias e dias

sem um lamento.

 

(Assim fiquei quando partiste)

 

Saúl Dias (1902-1983)

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 09:54
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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Máscaras

 

 

   Um arrepio ondulante e sombrio percorreu-lhe a estrada do medo.

  Aquela manhã de Inverno estava gelada e, o Sol, derretia árvores e sonhos, tal estalactites...gota a gota esparramadas no chão. O vento esgueirou-se por tampas entreabertas soltando amarras e cabelos e, até a voz ganhou a luz da velocidade e desabotoou raízes do chão.

   Ela saiu do carro devagar. Era tarde. Pensava em todas as opções que tomara, nas  que não tomara,nas que deixara que tomassem por si...por comodismo,por amor, por medo.

Era tarde. Nos degraus rolavam-lhe cenas que julgara esquecidas. Caiam máscaras: violentas, cruas.

   Por  fim chegou. Era tarde. Era a hora.

  Abriu portas. Olhou em frente. Era sempre traída pelo olhar, nu e lavado.Mas naquela manhã de Inverno o Sol derretia árvores e sonhos. Olhou com entrega , sem adargas...

_  Não !!- disse.

  Saiu. Na rua, dominós tombavam em cascata. Tudo permanecia no agora. Porém, as máscaras tremendas esmagavam-se contra os muros. O cheiro quente a buganvílias e a nardos invadiam-lhe as narinas inóspitas.

   O calor voltava a invadir-lhe  a medula.

 

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 20:02
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."Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar". Sophia de Mello Breyner Andresen

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.Mário Cesariny

tudo no teu sorriso diz que só te falta um pretexto para seres feliz uma querela talvez chegasse ou um pequeno pastor que passasse na estrada, com suas ovelhas um riso, um pormenor que no momento se pousasse e o tornasse melhor eu vou pensando em coisas velhas - sem sombra de desdém! - na vida naquele lampejo fugace que o teu sorriso já não tem e que é do passado porque a nossa grande sabedoria não soube tratar ente tão delicado e declina, o dia o pequeno pastor já não vem (Mário Cesariny, manual de prestidigitação, Assírio & Alvim)

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.AS FADAS As fadas...eu creio nelas! Umas são moças e belas, Umas vivem nos rochedos, Outras, à beira do mar...

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio E suportar é o tempo mais comprido. Peço-Te que venhas e me dês a liberdade, Que um só de Teus olhares me purifique e acabe. Há muitas coisas que não quero ver. Peço-Te que sejas o presente. Peço-Te que inundes tudo. E que o Teu reino antes do tempo venha E se derrame sobre a Terra Em Primavera feroz precipitado. Sophia de Mello Breyner Andresen

.Ser poeta é ser mais alto...

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!

.RAÍZES

Quem me dera ter raízes, que me prendessem ao chão. Que não me deixassem dar um passo que fosse em vão. Que me deixassem crescer silencioso e erecto, como um pinheiro de riga, uma faia ou um abeto. Quem me dera ter raízes, raízes em vez de pés. Como o lódão, o aloendro, o ácer e o aloés. Sentir a copa vergar, quando passasse um tufão. E ficar bem agarrado, pelas raízes, ao chão. (in Herbário) jORGE sOUSA bRAGA

.Somewhere over the rainbow

Quase Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído Num grande mar enganador de espuma; E o grande sonho despertado em bruma, O grande sonho - ó dor! - quase vivido... Quase o amor, quase o triunfo e a chama, Quase o princípio e o fim - quase a expansão... Mas na minh'alma tudo se derrama... Entanto nada foi só ilusão! De tudo houve um começo ... e tudo errou... - Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, Asa que se enlaçou mas não voou... Momentos de alma que, desbaratei... Templos aonde nunca pus um altar... Rios que perdi sem os levar ao mar... Ânsias que foram mas que não fixei... Se me vagueio, encontro só indícios... Ogivas para o sol - vejo-as cerradas; E mãos de herói, sem fé, acobardadas, Puseram grades sobre os precipícios... Num ímpeto difuso de quebranto, Tudo encetei e nada possuí... Hoje, de mim, só resta o desencanto Das coisas que beijei mas não vivi... Um pouco mais de sol - e fora brasa, Um pouco mais de azul - e fora além. Para atingir faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém...

.Florbela Espanca

Escreve-me! Ainda que seja só Uma palavra, uma palavra apenas, Suave como o teu nome e casta Como um perfume casto d’açucenas! Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo Que te não vejo, amor! Meu coração Morreu já, e no mundo aos pobres mortos Ninguém nega uma frase d’oração! “Amo-te!” Cinco letras pequeninas, Folhas leves e tenras de boninas, Um poema d’amor e felicidade! Não queres mandar-me esta palavra apenas? Olha, manda então… brandas… serenas… Cinco pétalas roxas de saudade… Florbela Espanca - O Livro D’Ele ********************************************* De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa dizer do meu amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Vinicius de Moraes *************************************************** Palavras que disseste e já não dizes, palavras como um sol que me queimava, olhos loucos de um vento que soprava em olhos que eram meus, e mais felizes. Palavras que disseste e que diziam segredos que eram lentas madrugadas, promessas imperfeitas, murmuradas enquanto os nossos beijos permitiam. Palavras que dizias, sem sentido, sem as quereres, mas só porque eram elas que traziam a calma das estrelas à noite que assomava ao meu ouvido... Palavras que não dizes, nem são tuas, que morreram, que em ti já não existem — que são minhas, só minhas, pois persistem na memória que arrasto pelas ruas. Pedro Tamen, in “Tábua das Matérias” *************************************************** ********************