Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

Papas,bolos e futebóis....

 

 

Afinal o que nos interessa uma ERC se temos um CR7?

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Segunda-feira, 11 de Junho de 2012

Humanos....

...porque a História ainda não acabou !

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

Jacarandás em flor

 

Extravasou do largo o jacarandá

Com as suas flores miúdas....
ocupa agora toda a manhã.
 
Jorge Sousa Braga
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Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

Ervas daninhas

 

                    Death To My Hometown

Nenhuma bala de canhão voou, ninguém de rifle nos ceifou
Nenhuma bomba caiu dos céus, nenhum sangue encharcou o chão
Nenhuma pólvora cegou olhares, nenhum trovão mortal soou
Mas tão certo quanto a mão de Deus,
Eles trouxeram a morte à minha terra-natal

Nenhuma nave atravessou o céu, nenhuma cidade ardeu
Nenhum exército tomou as praias pelas quais morreríamos
Nenhum ditador foi coroado
Acordei numa noite silenciosa, nunca ouvi um só som
Bandidos atacaram no escuro e
Trouxeram a morte à minha terra-natal
Eles trouxeram a morte à minha terra-natal

Eles destruíram as fábricas de nossas famílias
E eles ocuparam nossos lares
Largaram nossos corpos nas planícies,
Os urubus deixaram só os nossos ossos

Escuta bem, meu menino, prepara-te para quando chegarem
Pois voltarão, tão certo quanto o sol que há-de nascer
Arranje uma canção para cantar e cante-a até terminar
Sim, cante-a com força e cante bem
Mande todos os magnatas sem escrúpulos para o inferno
Os ladrões gananciosos que aparaceram
E comeram a carne de tudo que encontraram
Criminosos que continuam com impunidade
Que andam nas ruas como homens livres

Ah, eles trouxeram a morte à nossa terra-natal,
A morte à nossa terra-natal.
Bruce Springsteen

 

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Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Dombéias

 Árvore, árvore....

 

Um dia serei árvore.
Com a maternal cumplicidade do verão.
Que pombos torcazes
anunciam.

Um dia abandonarei as mãos
ao barro ainda quente do silêncio,
subirei pelo céu,
......às árvores são consentidas coisas assim.

Habitarei então o olhar nu,
fatigado do corpo,

 esse deserto
repetido nas águas,
enquanto a bruma é sobre as folhas
que pousa as mãos molhadas.


E o lume.

 

Eugénio de Andrade, Com o Sol em cada Sílaba

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Domingo, 20 de Maio de 2012

Inutilmente parecemos grandes

Tentemos pois com abandono assíduo

Entregar nosso esforço à Natureza

E não querer mais vida

Que a das árvores verdes.

Ricardo Reis

 

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Domingo, 13 de Maio de 2012

RAIAR

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Domingo, 6 de Maio de 2012

As mães nunca se ausentam...mesmo quando adormecem

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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

O silêncio do grito

 

'E grito ao mar, à terra, ao puro azul do céu:
Aonde estás, amor? Aonde… aonde… aonde?…'

 

Florbela Espanca

 

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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

Amanhã no CCB

 
 
‎'a noite de escuros voos apanhou-me
com a cabeça acesa numa teia de tinta ...
é sempre uma mentira existir
fora daquilo que está no fundo de mim'
Al Berto
 

 

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Domingo, 8 de Abril de 2012

...entre leituras...

 

 

    

A vida pressupõe dois pés, duas pernas,
dois olhos, dois braços, e até o cérebro
tem duas partes: a direita e a esquerda.
Só o amor quando é forte não tem lado
esquerdo e direito. É um sentimento central;
qualquer acontecimento quotidiano, ou extraordinário,
parece ocorrer nas suas vizinhanças.

Canto III, 121

  

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Sábado, 31 de Março de 2012

Raízes ao vento

 

As árvores, por exemplo, toleram bem o tédio:
praticamente nada acontece no reino vegetal de uma floresta,
e não é por essa razão que as exaltações guerreiras
se multiplicam. O homem
-  disse o velho - deveria aprender a imitar
o ímpeto lento das árvores
que sem serem vistas e jamais parando, sobem sempre.

Canto VI, 49

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Terça-feira, 13 de Março de 2012

Sabe a prunus pissardii em flor

 Respiro o teu corpo: 
 sabe a lua-de-água ao amanhecer,
 sabe a cal molhada,
 sabe a luz mordida,
 sabe a brisa nua,
 ao sangue dos rios,
 sabe a rosa louca,
 ao cair da noite sabe a pedra amarga,
 sabe à minha boca.
 
 Eugénio de Andrade

 

 
 
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Abrir a mão

 

Remexo em gavetas, elimino coisas supérfluas, reencaminho, reutilizo, reduzo, remexo….mexo em energias paradas ….relembro, revivo, ensaco, encaixo, desencaixo, dou, partilho, divido, agradeço,……abro mão…..deixo ir…liberto.

Esse remexer traz dor….tal como as feridas que antes de sararem têm de purgar e doer.

Só depois vem a calma…… espaço p’ra Ser.

A cura.

Remexo em gavetas. … Fico desaconselhável.

A ferida está a doer.

 

 

 

 

 

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Sábado, 17 de Dezembro de 2011

Meios tons

"Os sentimentos que mais doem,

as emoções que mais pungem,

são os que são absurdos

- a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis,

a saudade do que nunca houve,

 o desejo do que poderia ter sido,

 a mágoa de não ser outro,

a insatisfação da existência do mundo.

Todos estes meios tons da inconsciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida,

um eterno sol-pôr do que somos...

O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer,

 triste de juncos ao pé de um rio sem barcos,

 negrejando claramente entre margens afastadas."

(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)



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Sábado, 3 de Setembro de 2011

Ao trabalho...

 Agosto chegou ao fim. Voltemos aos calendários,aos horários e à vida amarrada... dentro dos relógios...

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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

Férias

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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

Música ao vento

 
20 Maria Rita; 21 Seal; Amanhã Orqustra Jazz de Matosinhos.....ai este mês de Julho...
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Sábado, 2 de Julho de 2011

O beijo ... de Klimt

 

JOAQUIM PESSOA, (Do livro a publicar, ANO COMUM).Dia 52....

 

Tenho sede quando te beijo.

 

Quando não te beijo tenho sede....

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Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

Fugindo das grelhas

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Noites de Verão

Janela Sobre Uma Mulher (em As Palavras Andantes)

 

 

Eduardo Galeano


 

“Essa mulher é uma casa secreta.

 Em seus cantos, guarda vozes e esconde fantasmas.

Nas noites de inverno, jorra fumaça.

 Quem entra nela, dizem,

 não sai nunca mais.

Eu atravesso o fosso profundo que a rodeia.

Nessa casa serei habitado.

 Nela me espera o vinho que me beberá.

Muito suavemente bato na porta, e espero.”

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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

Opções

 Era uma vez duas serpentes que não gostavam uma da outra.

 Um dia encontraram-se num caminho muito estreito e como não gostavam uma da outra devoraram-se mutuamente.

 Quando cada uma devorou a outra

 não ficou nada.

 Esta história tradicional demonstra que se deve amar o próximo

 ou então ter muito cuidado com o que se come.

 

HATHERLY, Ana, 351 Tisanas. Lisboa: Quimera (1997)

 

ilustração infantil, inspirada no livro “T.J.’s Desert Surprise” de Emily A. York

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Sábado, 7 de Maio de 2011

Sem pena, sem drama,,,com protecção ,com decisão.

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Sábado, 26 de Março de 2011

Dá-me um abraço ...

 When We Two Parted
by George Gordon, Lord Byron

 

 

  

When we two parted

In silence and tears,

Half broken-hearted

To sever for years,

Pale grew thy cheek and cold,

Colder thy kiss;

Truly that hour foretold

Sorrow to this.


The dew of the morning

Sunk chill on my brow—

It felt like the warning

Of what I feel now.

Thy vows are all broken,

And light is thy fame:

I hear thy name spoken,

And share in its shame.


They name thee before me,

A knell to mine ear;

A shudder comes o'er me—

Why wert thou so dear?

They know not I knew thee,

Who knew thee too well:

Long, long shall I rue thee,

Too deeply to tell.


In secret we met—

In silence I grieve,

That thy heart could forget,Thy spirit deceive 

If I should meet thee

After long years,

How should I greet thee?

With silence and tears

 

.

If I should meet thee

After long years,

How should I greet thee?

With silence and tears

 

 

 
 
 
 
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Quarta-feira, 23 de Março de 2011

Sem Plácido.........carimbos 2

 

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Domingo, 13 de Março de 2011

Esgotamento com ritmos perdidos

Um ritmo perdido...


Se uma pausa não é o fim
E o silêncio não é ausência,
Se um ramo morto não mata uma árvore,
Um amor que é perdido, será acabado?

Um ouvido que escuta,
Uma alma que espera...
_Uma onda desfeita
É ou já não era?
 
Ana Hatherly
Um Ritmo Perdido
1958, edição da autora
desenho de Ana Hatherly
 
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

Estar ao teu lado

Estarei ao teu lado, quando toda a esperança tiver morrido...

...Se  pudesses ao menos te afundar em mim...

Oh quando estiveres com frio estarei lá para te abraçar forte

quando estiveres sozinho, eu estarei lá do teu lado, do teu lado

quando estiveres com frio estarei lá para te abraçar forte

quando estiver sozinho, eu estarei lá do teu lado,

do teu lado....

do teu lado.

 

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Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

Mimos guardados dentro das mãos

 

Beija-me as mãos,

  Amor,

 devagarinho ...

Como se os dois nascêssemos irmãos,

 Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho ...

Beija-mas bem! ...

Que fantasia louca

Guardar assim, fechados, nestas mãos

Os beijos que sonhei prà minha boca! ...

 

 Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Ainda vai a tempo

CONVIDADOS Hoje em Câmara Clara RTP

 EUNICE MUÑOZ

 Aos 82 anos Eunice Muñoz celebra 70 de carreira.

Prestes a estrear (próxima quinta-feira) O Comboio da Madrugada, uma peça de Tennessee Williams nunca levada à cena em Portugal, Eunice Muñoz regressa à direção de Carlos Avilez, no TEC, 40 anos depois de ali ter obtido um dos maiores sucessos da sua vida artística, As Criadas de Jean Genet.

 E, contudo, Eunice Muñoz sente-se com 18 anos.

 Eis uma conversa para guardar no coração e na cabeça, uma conversa em que Eunice revela alguns dos segredos da sua criativa longevidade

 

 

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Ama dure ser

 

 

«...tenho medo de encontrar alguém semelhante a mim e ao mesmo tempo desejo-o. Sinto-me tão definitivamente só, mas tenho tanto medo que o isolamento seja violado e eu não seja mais o cérebro e a lei do meu universo. (...) O medo da loucura destruirá os muros da nossa casa secreta e projectar-nos-á no mundo à procura de contactos ardentes.» in A Casa do Incesto, Anaïs Nin, Assírio & Alvim, 1993
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Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Definições...ou não

Como as linhas, os planos podem ser paralelos ou concorrentes.

Linhas paralelas são linhas rectas que, estando na mesma superfície plana e sendo estendidas indefinidamente em ambas as direcções, nunca se chegam a tocar.

Linhas cruzadas são duas rectas que têm direcções diferentes e que, portanto, têm um único ponto em comum. Ou não.

 

 

 

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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

Domingo : eleições e Brecht no CCB

Dificuldade de Governar

 

1

 Todos os dias os ministros dizem ao povo Como é difícil governar.

 Sem os ministros O trigo cresceria para baixo

 em vez de crescer para cima.

 Nem um pedaço de carvão sairia das minas  Se o chanceler não fosse tão inteligente.

 Sem o ministro da Propaganda Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.

 Sem o ministro da Guerra Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol Sem a autorização do Führer?

 Não é nada provável e se o fosse Ele nasceria por certo fora do lugar.

 

2

 E também difícil, ao que nos é dito, Dirigir uma fábrica.

 Sem o patrão As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.

 Se algures fizessem um arado Ele nunca chegaria ao campo sem As palavras avisadas do industrial aos camponeses

 Quem, De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados?

 E que Seria da propriedade rural sem o proprietário rural? Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

 

3

 Se governar fosse fácil Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.

 Se o operário soubesse usar a sua máquina

 E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas

 Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.

 E só porque toda a gente é tão estúpida Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

 

 4

Ou será que Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira São coisas que custam a aprender? 

 

 Bertolt Brecht Tradução de Arnaldo Saraiva

 

 

 

 

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Domingo, 26 de Dezembro de 2010

Feliz Natal

  

NATAL

A caixa com os enfeites da árvore de Natal guardada no fundo do armário; os filmes bíblicos; a reportagem dos telejornais sobre um homem vestido de pai Natal a andar de trenó na Lapónia; as guerras que param durante a véspera e o dia de Natal; a reportagem sobre a ceia de Natal dos sem-abrigo; o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras; os anúncios de brinquedos cada vez mais surpreendentes: bonecas que fazem isto, robots que fazem aquilo; o Natal dos Hospitais; os domingos passados em pijama, no sofá; a sensação de que nos pode sair o brinde do bolo rei; a comida; os circos; as compras; as ruas com luzes de Natal; velas, sinos, bolas, estrelas; os homens que passam a tarde vestidos de pai Natal no centro comercial; as palavras "especialidades de Natal" escritas em quadrados de papel na montra das pastelarias; os objectos partidos que ficam abandonados nas prateleiras quase vazias da secção de promoções; a senhora da caixa a olhar-nos nos olhos e a dizer: "verde código verde"; as pessoas que são contratadas para passarem dias a embrulharem presentes sem parar; os postais de Natal que as empresas se lembram de enviar para agradar aos clientes; as mensagens de telemóvel que as pessoas enviam, querendo desejar boas festas e tentando ser originais; os emails que as pessoas enviam, querendo desejar boas festas e tentando ser originais; os aquecedores, as lareiras e as braseiras; a lembrança da missa do galo; os amigos, os vizinhos, os tios, os primos, os irmãos, os cunhados, os sobrinhos; os avós sentados num canto da sala, a assistirem a tudo, a sorrirem, em silêncio; e os pais, e as mães, e os filhos.

(texto de José Luís Peixoto)
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Sábado, 20 de Novembro de 2010

Não existe um caminho para a paz; a paz é o caminho.

 

 

You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will live as one

 

 

 

 

 

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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Indiferença

 

 

O vento agita as sombras na minha mão,

 lança-me vultos, um nome em chamas, versos afiados contra os dedos.

Sempre pressenti a distância mínima entre o poema

e o medo de não saber regressar a casa.

Já nada nos lembra que o poema só se forma no fio da navalha.

 

Renata Correia Botelho

[in Um Circo no Nevoeiro, Averno, 2009]

 

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Sábado, 25 de Setembro de 2010

Fragmentos

101. Se a nossa vida fosse um eterno estar-à-janela, se assim ficássemos, como um fumo parado, sempre, tendo sempre o mesmo momento de crespúsculo dolorindo a curva dos montes.

Se assim ficássemos para além de sempre!

Se ao menos, aquém da impossibilidade, assim pudéssemos quedar-nos, sem que cometêssemos uma acção, sem que os nossos lábios pálidos pecassem mais palavras!

Olha como vai escurecendo!... O sossego positivo de tudo enche-me de raiva, de qualquer coisa que é o travo no sabor da aspiração. Dói-me a alma... Um traço lento de fumo ergue-se e dispersa-se lá longe... Um tédio inquieto faz-me não pensar mais em ti...

Tão supérfluo tudo! Nós e o mundo e o mistério de ambos.

Livro do Desassossego

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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Um filme de 7 minutos feito para o pavilhão português na Expo 2010 Exposição Mundial de Xangai.

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Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Pina Bausch - Um ano depois...um ano depois (Nasmastê)

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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Ideias em português!

 

 

A revista "Egoísta" foi distinguida com quatro prémios na 16ª edição dos Papies, um certame que visa premiar os melhores trabalhos de comunicação gráfica.

 

 

Os prémios distinguiram as últimas três edições temáticas da "Egoísta", intituladas "Sonho Português", "Paz" e "Escrever". "A 'Egoísta' sobre `Escrever´ ganhou o Grande Prémio da categoria Papies do Design Gráfico em Papel, enquanto o número especial dedicado à `Paz´ foi galardoado na categoria Trabalho Gráfico do Ano.

 A edição dedicada ao "Renascimento" está também candidata ao prémio de melhor Magazine Design no festival One Show Design 2007, que divulga os seus vencedores a 12 de Julho, em Nova Iorque.

 

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Domingo, 20 de Junho de 2010

Para viajar, basta existir!

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Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

A espuma dos dias

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Sábado, 27 de Março de 2010

O meu fascínio pelo teatro .....

 ....o meu   fascínio pelo teatro vem da minha atracção pelo palco.
 Deve ser uma história antiga, temerária e aparatosa. De um passado remoto...que não me lembro.
 Sinto esse frenesi  nos poros, deixou marcas no meu mais íntimo prazer.
 Eu e o palco, velhos amantes....
 
 Neste presente surreal em que vivo resta-me a plateia....as luzes, o encantamento do espaço, os silêncios, a cumplicidade, o riso, o amargo na     boca, o brilho dos olhos, as palmas.....
O lado oposto.
 Mas o mesmo deleite,a mesma comunhão,  a mesma festa.
VIVA O TEATRO!
 
 
Esta mensagem foi hoje lida em todos os palcos:
  
Mensagem do Dia Mundial do Teatro de 2010 por Dame Judi Dench
 
"O Dia Mundial do Teatro é uma oportunidade de celebrar o Teatro em todas as suas miríades formas. Fonte de entretenimento e inspiração, o Teatro contém em si a capacidade de unificar os inúmeros povos e culturas que existem no mundo. Mas o Teatro é mais do que isso e também proporciona oportunidades de educar e informar. O Teatro é representado no mundo inteiro e nem sempre no cenário de teatro tradicional.
Os espectáculos podem ocorrer numa pequena aldeia em África, no sopé de uma montanha da Arménia, numa pequena ilha do Pacífico. Só precisa de um espaço e de um público. O Teatro tem a capacidade de nos fazer rir, de nos fazer chorar mas deve, também, fazer-nos pensar e reflectir.
O Teatro acontece pelo trabalho em equipa. Os actores são as pessoas que se vêm, mas existe um conjunto espantoso de pessoas que não são vistas. São tão importantes como os actores, e os seus conhecimentos especializados, diferenciados, tornam possível que a produção aconteça. Eles também devem partilhar qualquer triunfo ou sucesso que se espera que venha a acontecer.
O dia 27 de Março é sempre a data oficial do Dia Mundial do Teatro. Em muitos sentidos cada dia deveria ser considerado um dia do teatro, uma vez que temos a responsabilidade de continuar esta tradição de entretenimento, de educação e de elucidar o nosso público, sem o qual não poderíamos existir."
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Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

Porque hoje é sábado

 

 

 

Annie Leibovitz Photography Susan At Home

Foto de Annie Leibovitz

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Sábado, 30 de Janeiro de 2010

até ao último segundo

« com a morte fica-se muito zangado como pessoa. não se criem dúvidas acerca disso. fica-se zangado e deseja-se aos outros pouco bem, e o mal que lhes pode acontecer é-nos indiferente ou, mais sinceramente, até nos reconforta, isso sim, como um abraço de embalo, para que não se ponham por aí a arder como o sol e, sobretudo, não nos falem com uma alegriazinha ingénua, de tempo contado, e nos façam perceber o quanto éramos também ingénuos e nunca nos preparáramos para a derrocada de todas as coisas. nunca nos preparamos para a realidade. passamos a ser cidadãos terrivelmente antipáticos, mesmo que façamos uma gestão inteligente desse desprezo que alimentamos crescendo. e só não nos tornamos perigosos porque envelhecer é tornarmo-nos vulneráveis e nada valentes, pelo que enlouquecemos um bocado e somos só como feras muito grandes sem ossos, metidas dentro de sacos de pele imprestáveis que já não servem para nos impor verticalidade nem nas mais pequenas batalhas.»

[O novo romance de  valter hugo mãe editado pela chancela Alfaguara, da editora Objectiva)

 

'A máquina de fazer espanhóis' homenageia o pai, que morreu há dez anos, tem maiúsculas e está  à venda a 10 de Fevereiro.

 

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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Tempo suspenso

A SERENATA
 
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?         

                                                                            Adélia Prado

 

       Fotografia das gémeas artistas britânicas Jane e Louise Wilson, a ver no Centro de Arte Moderna, na Gulbenkian, até 18 de Abril.

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Domingo, 17 de Janeiro de 2010

Por terras de Bethânia

 "Não tem saudade nem mágoa, meu amor fala outra língua",

canta Maria Bethânia no álbum Tua(2009).‘      Ver mais aqui: Tua
 

 

BAHIA 2010 021

 

BAHIA 2010 023

 

BAHIA 2010 032

 

 

BAHIA 2010 136

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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Os nós e os laços

Cada dia é mais evidente que partimos

 

Desatar os nós

 
Cada dia é mais evidente que partimos
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudades nem terror que baste.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen
Antologia
Círculo de Poesia
Moraes Editores
1975

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Domingo, 22 de Novembro de 2009

SENSIBILIDADE E BOM SENSO

 Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito.

 E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho.

Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa.

Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas...

 

Quando o amor é grande demais torna-se inútil: já não é mais aplicável, e nem a pessoa amada tem a capacidade de receber tanto.

 

Fico perplexa como uma criança ao notar que mesmo no amor tem-se que ter bom senso e senso de medida.

Ah, a vida dos sentimentos é extremamente burguesa.

 

CLARICE LISPECTOR
 

 

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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Bom ano escolar!

Bom ano escolar...com esperança,vontade ,alegria,sonhos,trabalho e prazer.

Sem gripes e com boas leituras.

 

 

Gripe
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Pegadas na areia

Certa noite, sonhei que estava na praia com o Senhor,

e, através dos céus,passaram cenas de minha vida.
Para cada ano que passava eram deixadas dois pares de pegadas na areia,
um era o meu e o outro do Senhor.
Quando a última cena da minha vida passou diante de nós olhei para trás e notei que,
muitas vezes no caminho de minha vida,havia apenas um par de pegadas.
Notei também que isso só acontecia nos momentos mais difíceis do meu viver,
isso aborreceu-me e perguntei então ao Senhor:
Senhor! Tu me deixaste… Por quê?
Se um dia me disseste que eu resolvi te seguir que tu andarias sempre comigo.
Mas notei que durante as minhas maiores aflições,
havia na areia do caminho da minha vida, apenas um par de pegadas.
Não entendo porque nas horas mais difíceis de minha vida tu me deixaste.
O senhor me respondeu:
Meu precioso filho, Eu te amo e jamais te deixaria nos momentos
das suas provações e do teu sofrimento.
 
Quando viste na areia apenas um par de pegadas, foi porque exatamente aí,
“Eu te carreguei nos braços.”
 Margareth Fishback Powers

             pegadas na areia 2.jpg

 

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."Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar". Sophia de Mello Breyner Andresen

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.Mário Cesariny

tudo no teu sorriso diz que só te falta um pretexto para seres feliz uma querela talvez chegasse ou um pequeno pastor que passasse na estrada, com suas ovelhas um riso, um pormenor que no momento se pousasse e o tornasse melhor eu vou pensando em coisas velhas - sem sombra de desdém! - na vida naquele lampejo fugace que o teu sorriso já não tem e que é do passado porque a nossa grande sabedoria não soube tratar ente tão delicado e declina, o dia o pequeno pastor já não vem (Mário Cesariny, manual de prestidigitação, Assírio & Alvim)

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.AS FADAS As fadas...eu creio nelas! Umas são moças e belas, Umas vivem nos rochedos, Outras, à beira do mar...

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio E suportar é o tempo mais comprido. Peço-Te que venhas e me dês a liberdade, Que um só de Teus olhares me purifique e acabe. Há muitas coisas que não quero ver. Peço-Te que sejas o presente. Peço-Te que inundes tudo. E que o Teu reino antes do tempo venha E se derrame sobre a Terra Em Primavera feroz precipitado. Sophia de Mello Breyner Andresen

.Ser poeta é ser mais alto...

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!

.RAÍZES

Quem me dera ter raízes, que me prendessem ao chão. Que não me deixassem dar um passo que fosse em vão. Que me deixassem crescer silencioso e erecto, como um pinheiro de riga, uma faia ou um abeto. Quem me dera ter raízes, raízes em vez de pés. Como o lódão, o aloendro, o ácer e o aloés. Sentir a copa vergar, quando passasse um tufão. E ficar bem agarrado, pelas raízes, ao chão. (in Herbário) jORGE sOUSA bRAGA

.Somewhere over the rainbow

Quase Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído Num grande mar enganador de espuma; E o grande sonho despertado em bruma, O grande sonho - ó dor! - quase vivido... Quase o amor, quase o triunfo e a chama, Quase o princípio e o fim - quase a expansão... Mas na minh'alma tudo se derrama... Entanto nada foi só ilusão! De tudo houve um começo ... e tudo errou... - Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, Asa que se enlaçou mas não voou... Momentos de alma que, desbaratei... Templos aonde nunca pus um altar... Rios que perdi sem os levar ao mar... Ânsias que foram mas que não fixei... Se me vagueio, encontro só indícios... Ogivas para o sol - vejo-as cerradas; E mãos de herói, sem fé, acobardadas, Puseram grades sobre os precipícios... Num ímpeto difuso de quebranto, Tudo encetei e nada possuí... Hoje, de mim, só resta o desencanto Das coisas que beijei mas não vivi... Um pouco mais de sol - e fora brasa, Um pouco mais de azul - e fora além. Para atingir faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém...

.Florbela Espanca

Escreve-me! Ainda que seja só Uma palavra, uma palavra apenas, Suave como o teu nome e casta Como um perfume casto d’açucenas! Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo Que te não vejo, amor! Meu coração Morreu já, e no mundo aos pobres mortos Ninguém nega uma frase d’oração! “Amo-te!” Cinco letras pequeninas, Folhas leves e tenras de boninas, Um poema d’amor e felicidade! Não queres mandar-me esta palavra apenas? Olha, manda então… brandas… serenas… Cinco pétalas roxas de saudade… Florbela Espanca - O Livro D’Ele ********************************************* De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa dizer do meu amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Vinicius de Moraes *************************************************** Palavras que disseste e já não dizes, palavras como um sol que me queimava, olhos loucos de um vento que soprava em olhos que eram meus, e mais felizes. Palavras que disseste e que diziam segredos que eram lentas madrugadas, promessas imperfeitas, murmuradas enquanto os nossos beijos permitiam. Palavras que dizias, sem sentido, sem as quereres, mas só porque eram elas que traziam a calma das estrelas à noite que assomava ao meu ouvido... Palavras que não dizes, nem são tuas, que morreram, que em ti já não existem — que são minhas, só minhas, pois persistem na memória que arrasto pelas ruas. Pedro Tamen, in “Tábua das Matérias” *************************************************** ********************