Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Chega de saudade

Chega de Saudade

Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

 

Vinicius de Morais

 

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 21:01
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5 comentários:
De Ana Pereira a 29 de Abril de 2009 às 00:16
Adorável Vinicius de Moraes, o poeta apaixonado que, melhor que ninguém, sabia cantar a saudade!

Neste poema é bem evidente esta ânsia incontida que o atormenta. Ás vezes, basta um pequeno gesto para que tudo se transforme, mas enquanto isso não acontece, vive-se de memórias, lembranças que abraçam a solidão de quem ama em silêncio.

Beijo azul
De SEMLINHASCRUZADAS a 29 de Abril de 2009 às 21:29
Dói muito dizer que sim...dói menos dizer que não.

Dói.

Beiju arco íris.
De sofia a 29 de Abril de 2009 às 18:59
Esta letra tem muito significado para quem ama desesperadamente . Eu amo e luto por isso . Sera que tambem fazes o mesmo ? OU Ja tens e não queres perder , pois isso doi muito .
Bj. de fada
De carla a 29 de Abril de 2009 às 20:15
Saudade palavra triste .....
O melhor e lutarmos mesmo contra ela ganhando a pessoa que amamos mesmo que nos custe poder ter que fazer mudancas .
Desculpa ,mas e o que se passa comigo.
Bj. coloridos
De SEMLINHASCRUZADAS a 29 de Abril de 2009 às 21:14
sofia, carla, luciana, joão... todos vós.....custa fazer mudanças, custa paralizar, custa resistir, custa viver...é isso a vida, não?...às vezes basta um sinal ,como disse a Ana Pereira, para minar os nossos prazeres diários e recordarmos o que é ficar sem chão....mas, nada vale se lutarmos sozinhos.

Beijos de todas as cores!

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Quase Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído Num grande mar enganador de espuma; E o grande sonho despertado em bruma, O grande sonho - ó dor! - quase vivido... Quase o amor, quase o triunfo e a chama, Quase o princípio e o fim - quase a expansão... Mas na minh'alma tudo se derrama... Entanto nada foi só ilusão! De tudo houve um começo ... e tudo errou... - Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, Asa que se enlaçou mas não voou... Momentos de alma que, desbaratei... Templos aonde nunca pus um altar... Rios que perdi sem os levar ao mar... Ânsias que foram mas que não fixei... Se me vagueio, encontro só indícios... Ogivas para o sol - vejo-as cerradas; E mãos de herói, sem fé, acobardadas, Puseram grades sobre os precipícios... Num ímpeto difuso de quebranto, Tudo encetei e nada possuí... Hoje, de mim, só resta o desencanto Das coisas que beijei mas não vivi... Um pouco mais de sol - e fora brasa, Um pouco mais de azul - e fora além. Para atingir faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém...

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Escreve-me! Ainda que seja só Uma palavra, uma palavra apenas, Suave como o teu nome e casta Como um perfume casto d’açucenas! Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo Que te não vejo, amor! Meu coração Morreu já, e no mundo aos pobres mortos Ninguém nega uma frase d’oração! “Amo-te!” Cinco letras pequeninas, Folhas leves e tenras de boninas, Um poema d’amor e felicidade! Não queres mandar-me esta palavra apenas? Olha, manda então… brandas… serenas… Cinco pétalas roxas de saudade… Florbela Espanca - O Livro D’Ele ********************************************* De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa dizer do meu amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Vinicius de Moraes *************************************************** Palavras que disseste e já não dizes, palavras como um sol que me queimava, olhos loucos de um vento que soprava em olhos que eram meus, e mais felizes. Palavras que disseste e que diziam segredos que eram lentas madrugadas, promessas imperfeitas, murmuradas enquanto os nossos beijos permitiam. Palavras que dizias, sem sentido, sem as quereres, mas só porque eram elas que traziam a calma das estrelas à noite que assomava ao meu ouvido... Palavras que não dizes, nem são tuas, que morreram, que em ti já não existem — que são minhas, só minhas, pois persistem na memória que arrasto pelas ruas. Pedro Tamen, in “Tábua das Matérias” *************************************************** ********************