Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

Tédio...ou o vazio que vem com o frio

Tanto escrevo quanto rasgo !

-Alguém já disse isto........

Mas ainda há algo de novo aqui ?!

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 22:23
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Armas secretas

Começaram  hoje as Correntes d'Escritas, lá na Póvoa de Varzim.

Gostei de ouvir  a comunicação de Maria Teresa Horta com «De que armas disporemos se não destas que estão dentro do corpo» (de um poema de Hélia Correia).

Lembrei-me  logo da ' Arma secreta' do  António Gedeão ( Rómulo de Carvalho) e da infantil  encenação que eu fazia à volta da sua declamação, nos íntimos jantares de família. 

E com a mesma infantilidade , pois a minha escrita  continua muito naif e pouco literária ,  comecei a brincar com palavras.


De que armas disponho?

Voz que voa,

sangue e brisa,

fogo ardente,

gelo quente.

Tudo ou nada.

Sol  ausente.

E um não sei quê emergente

que me prende

paralisa.

 

De que armas disponho?

Quase nada.

Tanto tudo.

E o terrível abismo

Bivalente….inocente

de estar longe

indiferente

mas ter vontade de mais,

mais e tudo

docemente.

 Avidamente partir….

voltar só e descontente.

 

De que arma disponho?

Foi secreta.

Foi semente.

Hoje rara , raramente

é vertigem divergente.

Cresceu. Amadureceu.

Mas continua imprudente.

É a eterna utopia de rasgar o aparente.

 

De que armas disponho?

Só do amor.

Simplesmente.



publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 22:11
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Sleep

 

Gosto da noite!

Somos outros à noite.

Gosto de sair, sob o céu escuro, e soltar amarras debaixo das estrelas.

Mas , cada vez mais, preciso da noite para me reequilibrar. Fazer balanço e ficar quieta...por fora.

Ouvir música que me embale.

Mergulhar no silêncio...

Dormir........Dormir é bom!

Retornar  todas as noites à posição fetal e aguardar pelo renascer de cada manhã...como de uma nova vida se tratasse. 

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 21:50
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013

AMA

« Ama!

Dentro do templo,ajoelha-te.

No estádio de futebol,grita pela tua equipa.

Numa festa , comemora.

Durante um beijo, apaixona-te.

De frente para o mar, despe-te.

Reencontras o amigo, escuta-o. 

 

Ou então , muda tudo.

Se preferires:


Dentro do templo, escuta-O.

Durante um beijo,despe-te.

No estádio de futebol, apaixona-te.

De frente para o mar, ajoelha-te.

Numa festa,grita pela tua equipa.

Reencontras um amigo, comemora.

 

Mas AMA !!!!!»

 

M.M

 

 

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publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 17:21
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013

Estou em modo destralhar!

 

Objetivo do mês: destralhar!

Há mais de dois anos que tento destralhar.

Hoje destralhei imenso e sinto-me muito mais leve!

Missão difícil e até dolorosa.

Não sou uma acumuladora compulsiva do TLC, mas tenho certa tendência para guardar coisas.

Atribuo mil significados: futura reutilização, futura aplicação, futuro uso, recordação passada, afecto passado, memória passada….

Estratagemas do ego! 

Com esta história do passado e do futuro acabo por esquecer o presente,…o único que existe mesmo!

Há mais de um ano que roupas não são usadas, que tralhas não são úteis, que monos ocupam espaços preciosos de vazio.

E, se não lhes aconteceu nada durante anos, também não lhes vai acontecer nada futuramente.

Mas, à última hora, surge sempre aquela vozinha interna e enferma: « E se vieres a precisar…?», « E se for útil para alguma coisa….?»... «…e se….e se….».

Tretas!

Tenho de livrar-me de coisas e viver o HOJE.

Tenho de reeducar este apego emocional! Memórias ficarão sempre cá dentro. Onde devem estar!

Há que desocupar espaços e dar lugar à simplicidade.

E isso aplica-se também à tralha mental, a planos, projectos, ideias e pensamentos.

Há que limpar, simplificar, destralhar, minimizar, relativizar.

Tarefa difícil. Muito difícil e sinuosa.

Relativizar compromissos, estabelecer prioridades, trocar mapas por bússolas.

Ser consciente. Fazer escolhas ecológicas, controlar o tempo, desmaterializar, sentir leveza.   

Em casa acham-me estranha e pensam que bebi litros de Red Bull. A empreitada é lenta e cheia de pequenos grandes passos.

Gradualmente, as camadas que me camuflam também vão tombando e vou -me redescobrindo e dando espaço a pormenores que realmente me apaixonam.

Haverá espaço, por fim, para dedicar-me ao essencial…e viver coisas novas, simplesmente.

 

 

 

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 20:26
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013

Rotações em mim maior

 

Tenho andado às voltas...dentro de mim !


publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 19:14
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Imperceptivel

publicado por SEMLINHASCRUZADAS às 22:36
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."Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar". Sophia de Mello Breyner Andresen

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.Mário Cesariny

tudo no teu sorriso diz que só te falta um pretexto para seres feliz uma querela talvez chegasse ou um pequeno pastor que passasse na estrada, com suas ovelhas um riso, um pormenor que no momento se pousasse e o tornasse melhor eu vou pensando em coisas velhas - sem sombra de desdém! - na vida naquele lampejo fugace que o teu sorriso já não tem e que é do passado porque a nossa grande sabedoria não soube tratar ente tão delicado e declina, o dia o pequeno pastor já não vem (Mário Cesariny, manual de prestidigitação, Assírio & Alvim)

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.AS FADAS As fadas...eu creio nelas! Umas são moças e belas, Umas vivem nos rochedos, Outras, à beira do mar...

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio E suportar é o tempo mais comprido. Peço-Te que venhas e me dês a liberdade, Que um só de Teus olhares me purifique e acabe. Há muitas coisas que não quero ver. Peço-Te que sejas o presente. Peço-Te que inundes tudo. E que o Teu reino antes do tempo venha E se derrame sobre a Terra Em Primavera feroz precipitado. Sophia de Mello Breyner Andresen

.Ser poeta é ser mais alto...

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!

.RAÍZES

Quem me dera ter raízes, que me prendessem ao chão. Que não me deixassem dar um passo que fosse em vão. Que me deixassem crescer silencioso e erecto, como um pinheiro de riga, uma faia ou um abeto. Quem me dera ter raízes, raízes em vez de pés. Como o lódão, o aloendro, o ácer e o aloés. Sentir a copa vergar, quando passasse um tufão. E ficar bem agarrado, pelas raízes, ao chão. (in Herbário) jORGE sOUSA bRAGA

.Somewhere over the rainbow

Quase Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído Num grande mar enganador de espuma; E o grande sonho despertado em bruma, O grande sonho - ó dor! - quase vivido... Quase o amor, quase o triunfo e a chama, Quase o princípio e o fim - quase a expansão... Mas na minh'alma tudo se derrama... Entanto nada foi só ilusão! De tudo houve um começo ... e tudo errou... - Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, Asa que se enlaçou mas não voou... Momentos de alma que, desbaratei... Templos aonde nunca pus um altar... Rios que perdi sem os levar ao mar... Ânsias que foram mas que não fixei... Se me vagueio, encontro só indícios... Ogivas para o sol - vejo-as cerradas; E mãos de herói, sem fé, acobardadas, Puseram grades sobre os precipícios... Num ímpeto difuso de quebranto, Tudo encetei e nada possuí... Hoje, de mim, só resta o desencanto Das coisas que beijei mas não vivi... Um pouco mais de sol - e fora brasa, Um pouco mais de azul - e fora além. Para atingir faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém...

.Florbela Espanca

Escreve-me! Ainda que seja só Uma palavra, uma palavra apenas, Suave como o teu nome e casta Como um perfume casto d’açucenas! Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo Que te não vejo, amor! Meu coração Morreu já, e no mundo aos pobres mortos Ninguém nega uma frase d’oração! “Amo-te!” Cinco letras pequeninas, Folhas leves e tenras de boninas, Um poema d’amor e felicidade! Não queres mandar-me esta palavra apenas? Olha, manda então… brandas… serenas… Cinco pétalas roxas de saudade… Florbela Espanca - O Livro D’Ele ********************************************* De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa dizer do meu amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Vinicius de Moraes *************************************************** Palavras que disseste e já não dizes, palavras como um sol que me queimava, olhos loucos de um vento que soprava em olhos que eram meus, e mais felizes. Palavras que disseste e que diziam segredos que eram lentas madrugadas, promessas imperfeitas, murmuradas enquanto os nossos beijos permitiam. Palavras que dizias, sem sentido, sem as quereres, mas só porque eram elas que traziam a calma das estrelas à noite que assomava ao meu ouvido... Palavras que não dizes, nem são tuas, que morreram, que em ti já não existem — que são minhas, só minhas, pois persistem na memória que arrasto pelas ruas. Pedro Tamen, in “Tábua das Matérias” *************************************************** ********************